domingo, 21 de junho de 2026

Alemanha vence e tira invencibilidade do Brasil na Liga das Nações


Duelo emocionante foi decidido apenas no tie-break em Ankara


Igor Santos - Repórter da Agência Brasil
Por, Paulino Andrasde/FN


Depois de emendar sete vitórias consecutivas para começar a competição, a seleção brasileira feminina de vôlei enfim conheceu sua primeira derrota na Liga das Nações neste domingo (21). As brasileiras foram derrotadas pela Alemanha por 3 sets a 2 em Ankara, na Turquia e perderam a liderança do torneio para os Estados Unidos, que têm a mesma campanha mas um saldo melhor de sets.

A equipe comandada por José Roberto Guimarães demonstrou poder de reação, após perder os dois primeiros sets de maneira bastante acirrada (26 a 24 e 28 a 26), vencendo as duas parciais seguintes de forma confortável (25 a 15 e 25 a 19). No entanto, no momento decisivo, novamente as alemãs se saíram melhor em uma parcial apertada, vencendo o tie-break por 16 a 14. As principais pontuadoras do Brasil e do jogo - que teve duração de 2 horas e 28 minutos - foram as ponteiras Ana Cristina e Helena, ambas com 21 pontos.

A derrota pôs um ponto final na segunda semana de jogos pela VNL feminina. O Brasil volta às quadras a partir do dia 8 de julho, para a terceira e última semana, em Osaka, no Japão, onde enfrentará a seleção dona da casa, além de Polônia, Tailândia e Estados Unidos.

Rebeca Andrade volta com ouro no Pan de ginástica artística

 Campeã olímpica vence a prova do salto





Igor Santos - Repórter da Agência Brasil

Por, Paulino Andrade/FN


O retorno de Rebeca Andrade às competições foi em grande estilo. A campeã olímpica na ginástica artística ficou longe dos campeonatos por quase dois anos, mas retornou neste domingo (21) e trouxe logo o ouro no salto durante o campeonato Pan-Americano de ginástica artística, no Rio de Janeiro. A performance de Rebeca foi o ponto alto de um dia que teve mais seis medalhas do Brasil.

Rebeca Andrade conquistou o ouro no salto - algo inédito para o Brasil em um Pan - com uma média de 14.266, resultado de dois saltos notas 14.433 (a nota mais alta da competição) e 13.700.

A prata ficou com a canadense Lia Monica (14.249) e o bronze com a estadounidense Claire Pease (13.916).

Brasília (DF), 21/06/2026 – Rebeca Andrade volta com ouro no Pan de ginástica artística

Foto: Melogym/CBG

Rebeca Andrade volta com ouro no Pan de ginástica artística Foto: Melogym/CBG - MeloGym/CBG

Na final das barras paralelas masculina, o Brasil conseguiu prata com Diogo Soares (13.933).

Na barra fixa, Diogo conquistou mais uma prata (14.133) e Arthur Nory trouxe o bronze (14.033), empatado com o canadense Felix Dolci.

Foram mais três bronzes para o Brasil no domingo: Thaís Fidélis na trave, Sophia Weisberg nas barras assimétricas e Vitaliy Guimarães no solo.



COPA DO MUNDO - Espanha desencanta e vence a 1ª na Copa goleando a Arábia Saudita

 Lamine Yamal marca o primeiro da carreira em mundiais


Igor Santos - Repórter da Agência Brasil

Por, Paulino Andrade/FN


Depois da má impressão deixada na estreia com empate diante de Cabo Verde, a Espanha se recuperou e goleou a Arábia Saudita por 4 a 0 neste domingo (21), em Atlanta, em partida válida pelo grupo H da Copa do Mundo de 2026. O jovem Lamine Yamal, de 18 anos, marcou o primeiro gol dele em Copas, o que abriu o placar para os espanhóis. Oyarzabal (2) e Tambakti (contra) marcaram os outros gols da Fúria, que ocupa momentaneamente a liderança da chave, com quatro pontos. A Arábia Saudita, o Uruguai e Cabo Verde - os dois últimos ainda se enfrentam nesta rodada - somam todos um ponto.

Reserva na estreia, Yamal foi titular no segundo jogo e abriu o placar logo aos oito minutos. Ele completou cruzamento de Oyarzabal, que foi o grande nome do jogo.

O atacante marcou o segundo e o terceiro gols num intervalo de dois minutos. Primeiro, aos 21, ele pegou uma sobra para ampliar e depois aos 22 recebeu de frente para o gol para marcar.

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Na segunda etapa, a Espanha definiu o jogo com um gol logo no começo.

Aos quatro minutos, Cucurella finalizou para defesa de Al-Owais, mas a bola bateu em Tambakti e acabou entrando.

Com a partida resolvida, a Espanha promoveu várias mudanças e chegou a marcar o quinto com Ferran Torres, mas após consulta ao VAR o gol foi anulado por impedimento.

Na derradeira e decisiva rodada da chave, na sexta-feira (26), Espanha e Uruguai fazem o duelo dos favoritos em Akron, enquanto Cabo Verde e Arábia Saudita se enfrentam em Houston.

INTERNACIONAL - Bolívia: caem bloqueios após estado de exceção e acordo com sindicato

 País entre em nova fase da crise política após 50 dias de bloqueio


Agência Brasil

Por, Paulino Andrade/FN


O número de bloqueios de rodovias na Bolívia, em protesto às políticas do governo de Rodrigo Paz, diminuiu após um acordo com a Central Operária da Bolívia (COB), firmado na sexta-feira (19), e o estado de exceção decretado nesse sábado (20).

Confirmado pelo Parlamento na madrugada deste domingo (21), o estado de exceção permite ao governo decretar toque de recolher em determinadas áreas do país e usar as Forças Armadas para reprimir manifestantes após 50 dias de bloqueios e protestos contra as políticas do governo consideradas “neoliberais”.  

Chegando a registrar mais de 80 bloqueios em determinados dias, nas últimas semanas, a Bolívia amanheceu este domingo com 31 bloqueios de rodovias em La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz, informou a Administradora de Estradas Bolivianas (ABC).

Ao longo deste domingo, o número de estradas bloqueadas caiu para 12, segundo painel de monitoramento em tempo real da ABC, responsável pela gestão das rodovias do país andino.

A doutoranda em ciência política na Universidade de São Paulo (USP) Alina Ribeiro explicou à Agência Brasil que o desgaste de 50 dias de bloqueios, que levaram a escassez de alimentos e medicamentos em diversas cidades, tem favorecido a redução das mobilizações. 

“As mobilizações custaram algumas vidas, inclusive, e paralisaram as cidades. Acho que a negociação com o governo aparece com uma saída que teria mais sentido, que beneficiaria os dois lados, ainda que não garanta a renúncia do Rodrigo Paz”, disse a especialista que estuda a realidade boliviana.

Os protestos vêm escalando na Bolívia desde janeiro, chegando ao ápice em maio e junho, após a promulgação de uma lei de terras criticada pelos camponeses. Desde então, grupos passaram a pedir a renúncia do direitista Rodrigo Paz, que está há apenas sete meses no poder após quase 20 anos de governos de esquerda na Bolívia. 

A pesquisadora Alina Ribeiro, que atua no Núcleo de Democracia e Ação Coletiva do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (NDAC-Cebrap), explicou que o bloqueio de rodovias é uma prática antiga na Bolívia, que vem da época da luta contra a colonização espanhola.

“É uma estratégia de atuação muito eficaz porque você realmente paralisa as cidades. Mas, ao mesmo tempo, é uma coisa que também exige das pessoas um tempo quase que integral e um sacrifício grande”, completou.

Acordo com Central Sindical

Um dia antes de decretar estado de exceção, o presidente Rodrigo Paz firmou um acordo com a COB, principal central sindical do país, que aderiu aos protestos pedindo reajustes salariais e denunciando o alto custo de vida.

O presidente da COB, Mario Argollo, informou que o acordo prevê um período de 90 dias para testar os compromissos com o governo. Ele pediu o fim dos bloqueios aos demais grupos para “pacificar o país”.

“Isso tem passos definidos de 90 dias. Agora a bola está do lado do governo. Se ele conseguir trabalhar nos aspectos centrais nacionais e estruturais, seguramente o povo vai aplaudir. Se faltar a isso, o povo o buscará”, disse Argollo à jornalistas após encontro com o presidente Paz.

Entre os pontos do acordo, estão a não criminalização dos protestos pelo governo; e não perseguição de lideranças de grupos sociais ou sindicais; e a formação de uma comissão com representantes do governo e da COB para liberação de lideranças presas durante os protestos.  

Pelo acordo, o governo ainda se comprometeu a não privatizar empresas públicas estratégicas, nem entregar recursos nacionais a interesses privados nacionais ou estrangeiros. Os pontos do acordo foram divulgados pela mídia estatal boliviana. 

Em uma rede social, o presidente Rodrigo Paz comemoro o acordo firmado com a COB.

“Vamos fortalecer a mineração estatal e a criação de empregos, sem privatizações e com coordenação permanente com a COMIBOL [Corporação Mineira de Bolívia]”, disse o chefe de Estado.

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Estado de exceção

No dia seguinte ao acordo com a COB, Paz decretou estado de exceção na Bolívia, decisão que o governo vinha preparando há semanas, o que incluiu a revogação da legislação de estado de exceção anterior e a  aprovação de novo texto pelo Parlamento.  

Ao anunciar a medida, o presidente boliviano voltou a criminalizar os protestos, argumentando, sem apresentar provas, que os bloqueios são financiados pelo narcotráfico, mesmo discurso usado pelos Estados Unidos (EUA) para defender o governo de La Paz.  

“O que a Bolívia enfrenta hoje é uma estratégia organizada de desestabilização contra a democracia e um governo constituído, e devemos chamá-la pelo seu nome: uma tentativa de golpe de Estado por parte do narcoterrorismo”, disse Rodrigo Paz.

O governo de La Paz ainda responsabiliza o ex-presidente Evo Morales pelos protestos e bloqueios no país. Em resposta, Morales afirma que esse é um movimento do povo boliviano, unindo professores, minérios, camponeses, indígenas e outros grupos sociais, os quais ele não tem controle.  

Divergências no movimento social

Parte das organizações seguem defendendo os bloqueios até a renúncia de Rodrigo Paz, como a Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Indígenas “Bartolina Sisa”.

Na última quinta-feira, um ato de camponeses na província Ingavi, no departamento de La Paz, defendeu a manutenção dos bloqueios e protestos.

“Reafirmamos que as decisões são tomadas em conjunto com o povo, e não pelas suas costas. A Bolívia não merece líderes que traem o mandato popular, violam os direitos da maioria e tentam entregar o nosso país a interesses estrangeiros”, disse comunicado da organização camponesa Bartolina Sisa.

A dirigente da organização Virgínia Antiñapa denunciou o assassinato de manifestantes e a perseguição de lideranças nas últimas semanas, rejeitando as acusações do governo Rodrigo Paz.

“Esta luta é uma luta pelas nossas reivindicações de anos atrás. O governo está politizando isso; dizendo que apoiamos o MAS [partido de Evo Morales], mas esta luta não deve ser politizada. Nossa luta é justa. Não temos nada a ver com o senhor Morales”, afirmou Virgínia, em coletiva de imprensa.

A pesquisadora da USP Alina Ribeiro acrescentou à Agência Brasil que as mobilizações são formadas por grupos heterogêneos, sendo difícil que eles assumam uma posição unificada para encerrar ou não os bloqueios de rodovias.

“Existe um nível de cisão interna que é muito definidora de toda essa mobilização. As organizações menos unificadas têm o processo de decisão mais difícil. Com isso, decidir continuar ou não no conflito se torna mais complexo”, completou.

TRILOGIA CATAMISTO A OBRA CONTAMINADA COMO ESPELHO HUMANO

 


Autor: André Soares Monteiro

Por, Paulino Andrade/FN


André Soares Monteiro – Arte da Transformação Contínua

Introdução: Uma Revolução na Linguagem Criativa

No cenário da arte contemporânea do século XXI, poucas propostas redefinem tão profundamente a relação entre matéria, técnica e sentido quanto o trabalho do artista humanitário André Soares Monteiro. Sua trilogia — Catamisto, Evolumisto e Reclatamisto — não é apenas um método: é um novo paradigma, nascido da necessidade, da memória e da consciência, que já se apresenta como uma das contribuições mais significativas da última década para a arte e o pensamento global.

Origem: Da Adversidade à Invenção

Tudo começa em 2014, em Recife: por quase um mês, o artista permanece confinado ao quarto, acompanhando sua mãe doente. Contava apenas com um computador básico, pouca familiaridade com ferramentas digitais, restos de tinta e materiais descartados ao redor. O primeiro gesto: retratar sua filha de 3 anos diretamente no programa Paint. Depois, usa uma lona de outdoor reutilizada como base no chão e criou várias imagens. Fotografou essas matrizes, levou ao digital e gerou mais de 2.000 imagens, dando origem à Gravitamisto — a gravura digital Catamista.

Essa gênese não é acaso: ela ensina que a criação não depende de recursos abundantes, mas da capacidade de ver potencial onde outros veem fim.

As Três Etapas da Transformação

✨ Catamisto – A Origem da Mistura

Técnica Catamista físico-digital: reúne resíduos industriais, lonas, papéis reciclados e sobreposições digitais. O princípio é simples e radical: nada é inútil, tudo pode ser ressignificado. Aqui se fundem o analógico e o virtual, a pobreza da matéria e a riqueza da imaginação — atualizando a tradição da Arte Povera com uma linguagem própria do nosso tempo.

🚀 Evolumisto – A Conquista do Volume

É a passagem do plano ao espaço. As composições bidimensionais ganham relevo, corpo e textura — inclusive na versão em bronze colorido, que une a nobreza milenar do metal à força das cores vibrantes. A obra deixa de ser apenas vista para ser habitada pelo olhar, mantendo intacta cada traço e emoção da matriz original.

♻️ Reclatamisto – O Ciclo Sem Fim

Hoje, com a inteligência artificial como aliada, o processo se fecha e se renova: intervenções digitais → impressão em materiais sustentáveis → retorno ao toque manual com colagem de recicláveis e pintura acrílica. É a reciclagem da arte pela própria arte: nenhuma peça é definitiva, todas estão em evolução permanente. 

Por Que Esta Obra É Fundamental Para a Humanidade?

Em um mundo marcado pela crise ecológica, pelo desperdício e pela busca de novos sentidos, a proposta Catamista responde a três questões urgentes:

Ambiental: Prova que reduzir, reutilizar e transformar é também um ato estético e ético — reduzindo drasticamente a pegada ecológica da produção artística.

Social: Nasce da simplicidade, acessível a qualquer realidade, conectando-se à cultura popular, aos catadores e às comunidades de Pernambuco, com reconhecimento já em espaços como a Torre Malakoff.

Filosófica: Propõe uma nova visão de tempo e existência: não há começo nem fim, apenas transformação. Desafia a lógica do consumo e do descarte para defender uma civilização do reuso e da continuidade.

Conclusão:

 André Soares Monteiro não criou apenas uma técnica — ele oferece um modelo de vida e criação para o Antropoceno. Sua trilogia Catamista se inscreve entre as linguagens mais originais e necessárias da atualidade, mostrando que a arte verdadeira é aquela que renova a matéria, preserva a memória e inspira o futuro.

“A obra nunca termina — ela apenas segue se transformando, como a própria vida.”

A OBRA CONTAMINADA COMO ESPELHO  HUMANO

O que o artista Humanitário Catamisto André Soares Monteiro deixa como reflexão sobre a inalação de micropartículas (plástico, vidro, alumínio, borracha, ferro) traz uma camada filosófica profunda e visceral para a técnica. Ao dizer que as obras "nascem contaminadas", você conecta a composição material da arte diretamente à biologia do ser humano contemporâneo.O ser humano respira e absorve o descarte invisível do mundo.A obra Catamisto/Reclatamisto absorve, em suas camadas físicas e reinterpretações digitais, esses mesmos resíduos. Ambas as "contaminações" estão escondidas: no pulmão do homem e na textura da obra.O Ciclo Reclatamisto nas ImagensAo observar a sequência das imagens, fica nítido o processo de mutação e reuso da imagem:A Matriz e as Variações Digitais (Gravitamisto): Vemos a imagem passar por filtros de pixelização, alto contraste e texturas de desenho a lápis, simulando a fragmentação da matéria e a transformação digital.Evolumisto (A Conquista do Volume): A penúltima imagem mostra claramente a transição para o bronze e o relevo metálico, imobilizando a figura em um suporte perene e escultural.Reclatamisto (O Retorno e o Eco): As versões finais reintroduzem a cor e as sobreposições, mostrando que o ciclo nunca fecha. A obra se recicla e se contamina de novas linguagens a cada etapa.A arte deixa de ser uma mera representação da natureza e passa a ser um organismo vivo do Antropoceno, sofrendo as mesmas mutações e agressões que o corpo humano sofre no ambiente poluído. MANIFESTO RECLATAMISTO: A ARTE DA CONTAMINAÇÃO INVISÍVELPor André Soares MonteiroO que está escondido dentro de nós é o que agora salta da lona.A série Reclatamisto não é apenas uma sequência de mutações estéticas. Ela é o espelho biológico e espiritual do homem no Antropoceno. Todos os dias, a humanidade inala, silenciosamente, o descarte de sua própria civilização. Partículas invisíveis de plástico, vidro, alumínio e polietileno flutuam no ar e contaminam nossos corpos, alojando-se secretamente em nossas células e pulmões.Nesta técnica, a arte imita a vida em sua vulnerabilidade mais extrema: as obras já nascem contaminadas.Ao cruzar o resíduo industrial bruto com a fragmentação digital da Inteligência Artificial, cada imagem passa por um processo de mutação contínua. A pintura se desfaz em pixels, o pixel se solidifica em relevo, o relevo se funde em bronze e a cor retorna como um grito de alerta.Assim como as micropartículas se escondem dentro do ser humano, os resíduos do mundo estão cravados nas camadas desta obra. Não há moldura que isole esta arte do planeta, porque não há pele que nos isole do ar que poluímos.O Reclatamisto usa a contaminação da própria imagem para sensibilizar o olhar e curar a nossa relação com a Terra. Se a matéria se transforma sem fim, que a nossa consciência seja a próxima a mudar.

sábado, 20 de junho de 2026

Morte que Segue, Morte que Segue

 Autor: Daniel Agra


De, André Soares Monteiro

Por, Paulino Andrade/FN


As praças,

ocas,

desabitadas,

ou sequer paridas.

Demolimos o improvável:

o verde.

E caminhar de cara ao vento

virou aventura com grife de "trilha".

O campo?

Um santuário de passagem, relíquia,

exotismo de um tempo que já não nos pertence.

A cidade, esse invólucro sem alma,

atestado de presenças ausentes.

Rostos acesos pelo azul das telas,

cruzando-se às cegas,

um murmúrio de mil solidões.

No peito deste asfalto,

só a saudade tem batimento.

Saudade de escalar o tronco das árvores,

de respirar o aroma da terra molhada.

Uma memória fantasma do céu,

de quando o corpo ainda sabia voar.

Que vida é esta que acumulamos?

Desperdiçamos os dias

no que é estéril.

Atulhamos a mente

com o entulho que nós mesmos parimos,

e consumimos, dóceis,

a escória que outros fabricam.

Nesse transe,

juramos que isto é viver.

Cegos ao nosso próprio ouro,

moldados por vozes alheias

que ditam o que deve ou não importar.

A rota de fuga, contudo,

sempre esteve ali:

contemplar a terra.

Deixar-se conduzir

por seu pulso sereno, indivisível.

Mas escolhemos tratá-la como inimiga.

Somos a praga que a devora,

o vírus que a extingue.

E, no processo,

asfixiamos nossa própria humanidade,

sorrindo,

fingindo que esta farsa é normal.

(A arte em forma de quadro pertence ao meu amigo e confrade André Catamisto, esculpida em despojos recicláveis. Siga-nos em @euagra. A arte e estes versos livres pertencem ao vento, desde que se honre sua raiz.)

La Muerte que Sigue

La Muerte que Sigue

Autor: Daniel Agra

Las plazas,

vacías,

olvidadas,

o tal vez nunca nacidas.

Demolimos lo improbable:

el verde.

Y andar de cara al viento

se volvió una aventura con etiqueta de "sendero".

¿El campo?

Un sitio de paso, una reliquia,

el capricho exótico de un ayer lejano.

La ciudad, un cascarón sin alma,

atestado de cuerpos.

Rostros encendidos por pantallas

que se cruzan a ciegas,

un susurro de mil soledades.

En las entrañas de este asfalto,

solo late la nostalgia.

Nostalgia de trepar a los árboles,

de respirar el aroma de la tierra mojada.

Una memoria fantasma del cielo,

de cuando yo también sabía volar.

¿Qué clase de vida es esta que habitamos?

Desperdiciamos las horas

en lo estéril.

Atiborramos la mente

con la basura que nosotros mismos parimos,

y consumimos devotamente

los desechos que otros fabrican.

Y bajo este trance,

creemos que esto es vivir,

mientras nuestro valor real se apaga,

títeres dóciles

que aceptan lo que es

y lo que no es importante.

El regreso, sin embargo,

era tan simple:

contemplar la naturaleza.

Dejarnos llevar

por su pulso sereno, indivisible.

Pero la declaramos enemiga.

Somos la plaga que la devora,

el virus que la extingue.

Y de este modo,

asfixiamos nuestra propia humanidad,

fingiendo que esta farsa es normal.

(La obra que acompaña este lienzo pertenece a mi hermano de arte André Soares Monteiro do Catamisto, esculpida en despojos reciclados. Síguenos en @euagra. El arte y estos versos libres son del viento, siempre que se honre su raíz.)

 Death, Ongoing

Death, Ongoing

By Daniel Agra

Squares,

hollowed,

forsaken,

or perhaps never born.

We tore down the improbable:

the green.

And walking in the wind

is now branded an adventure, packaged as a "trail."

The wild?

A weekend relic,

an exotic whisper of a world that was.

The city: a soulless vessel

swarming with bodies.

Faces blue-lit by screens,

passing through each other, blind,

a low hum of a thousand solitudes.

At the heart of this concrete,

only longing beats.

Longing to scale the branches,

to breathe the scent of rain-soaked earth.

A phantom limb of the sky,

recalling a time when I, too, knew how to fly.

What kind of life is this we hoard?

We squander our hours

on the hollow.

We gorge our minds

on the waste we manufacture,

loyal consumers

of the rot others sell.

And in this trance,

we call it living.

Blind to our own gold,

molded by whispers

that dictate what matters

and what must be discarded.

Yet the threshold

was always simple:

to look at the earth.

To let her pull us

into her quiet, seamless rhythm.

Instead, we wage our war.

We are the blight that feeds on her,

the virus that hollows her out.

And so,

we execute our own humanity,

smiling,

pretending this is peace.

(The accompanying canvas is the work of my brother-in-art, André Soares Monteiro do Movimento Catamisto, sculpted from the discarded. Follow us @euagra. The art and these free verses may wander, provided their roots are remembered.)

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Anatel conclui neste domingo a unificação das áreas locais da telefonia fixa em São Paulo

 Mudança abrange os DDDs 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19 e encerra cronograma nacional de adequação das áreas tarifárias do STFC


Agência Nacional de Telecomunicações
Por, Paulino Andrade/FN


A partir deste domingo (21/6), as ligações por telefone fixo — o Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) — passarão por uma alteração estrutural no estado de São Paulo. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza a última etapa do cronograma nacional que unifica, sob as regras de chamadas locais, os municípios que compõem os códigos nacionais de discagem (DDDs) 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19.

Com a mudança, a divisão tarifária baseada em limites municipais deixa de existir dentro de um mesmo DDD. A abrangência geográfica da área tarifária local passa a coincidir com a área de numeração de cada código DDD, alinhando a telefonia fixa ao modelo já utilizado na telefonia móvel.

Na prática, as ligações realizadas entre telefones fixos localizados em municípios que compartilham o mesmo DDD passarão a ser tratadas como chamadas locais. Além disso, a discagem entre telefones fixos de uma mesma área de numeração será simplificada, dispensando a utilização do código de seleção de prestadora e do próprio DDD.

A etapa prevista para este domingo conclui o cronograma nacional de implementação definido pela Anatel, iniciado em janeiro deste ano. Desde então, a unificação das áreas locais vem sendo realizada de forma gradual, em etapas regionais, para garantir a estabilidade das redes de telecomunicações e a adaptação dos sistemas operacionais e de faturamento das prestadoras.

Ao final do processo, o número de áreas locais utilizadas para fins de tarifação na telefonia fixa será reduzido de cerca de 4 mil para 67, correspondentes aos códigos DDD existentes no país. A medida promove simplificação regulatória, maior clareza para os usuários e convergência entre os serviços de telefonia fixa e móvel.

A alteração está prevista no Acórdão nº 202 do Conselho Diretor da Anatel.