Por, Paulino Andrade/FN
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Cuidar da saúde mental das mulheres também é cuidar de quem vive e convive com HIV/AIDS
No Outubro Rosa, o GTP+ chama atenção para as pernambucanas que vivem com HIV, que chegam tarde ao diagnóstico e raramente recebem apoio emocional
Ascom / Yan Santino - Duxi
Por, Paulino Andrade/FN
Enquanto o Outubro Rosa concentra a atenção na saúde feminina, o Grupo de Trabalho em Prevenção Posithivo (GTP+), do Recife, lembra uma parcela que quase nunca entra nessa conversa. Entre 2020 e 2024, Pernambuco registrou 4.393 novos diagnósticos de HIV em mulheres, 27,8% do total do estado, segundo o Informe Epidemiológico HIV/Aids 2025 da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Em 94,5% dos casos entre mulheres com 13 anos ou mais, a transmissão foi heterossexual. Esse perfil ajuda a entender por que muitas não se enxergam em risco e adiam o teste.
O atraso aparece nos números. Entre as pernambucanas, 53,7% dos casos de aids, estágio avançado da infecção, foram registrados a partir dos 40 anos. Entre os homens, essa proporção é de 43,8%. As mulheres também respondem por 33,7% das mortes por aids no período, fatia maior do que a que ocupam entre os diagnósticos de HIV. E a presença de mulheres mais velhas cresce: os diagnósticos entre pernambucanas com 60 anos ou mais passaram de 30, em 2020, para 66, em 2024.
A gravidez costuma ser a porta de entrada para a descoberta. Em 2024, o estado notificou 532 gestantes com HIV, a maior taxa da série histórica: 4,8 por mil nascidos vivos. Entre 2020 e 2024, 37,4% delas souberam da infecção durante o pré-natal, e cerca de uma em cada nove só no parto ou depois dele. No mesmo período, 2.601 crianças foram expostas ao vírus. Fora do estado, um estudo do Grupo Hospitalar Conceição com a Universidade da Califórnia (UCLA), em Porto Alegre, mostrou que mais de um terço dos diagnósticos tardios de HIV eram de mulheres heterossexuais com filhos.
O diagnóstico costuma chegar junto com outro peso. Em Natal, levantamento com pessoas vivendo com HIV encontrou sintomas de depressão em 40% dos pacientes, com as mulheres entre as mais afetadas. Medo de contar à família e falta de rede de apoio estão entre os fatores apontados.
“A gente já tem muito problema com a família quando se assume como um corpo trans. Às vezes, a gente fica magoada pelo preconceito da família, e não tem uma pessoa que venha apoiar a gente. Ainda tem o preconceito do dia a dia que a gente enfrenta na rua: ser um corpo trans, negra e periférica já é enfrentar preconceito todo dia. Então, é muito bom ter um acompanhamento psicológico, muito bom mesmo”, afirma Priscila Batista Miranda da Silva, acolhida pelo GTP+.
É nesse ponto que o GTP+ concentra parte do seu trabalho. Primeira organização do Nordeste conduzida por pessoas que vivem com HIV, fundada em 2000, a entidade mantém no Centro do Recife o Projeto Testar e Cuidar. O espaço é aberto a todas as mulheres, vivam ou não com HIV, e a toda a população. O projeto realiza testes rápidos gratuitos de HIV, sífilis e hepatites B e C, de segunda a sexta, sem agendamento. O atendimento inclui aconselhamento psicológico, para que ninguém receba um resultado e volte para casa sem orientação.
“Uma mulher diagnosticada com o HIV acaba enfrentando um luto do diagnóstico, o medo, inseguranças e, muitas vezes, precisa lidar com o preconceito e com o medo de ser rejeitada. Quando ela está emocionalmente fragilizada, pode ter mais dificuldade para manter a rotina do tratamento. Por isso, cuidar da saúde mental também é oferecer condições para que ela consiga continuar se cuidando, sem culpa e sem julgamento. Viver com HIV não significa necessariamente adoecer mentalmente: o sofrimento não é inevitável, e a mulher não deve ser reduzida ao diagnóstico”, afirma Danielle Barbosa, psicóloga do GTP+.
O quadro se agrava porque a rotina de cuidado recai sobre elas. No Nordeste, as mulheres dedicam em média 23,5 horas semanais a tarefas domésticas e ao cuidado de outras pessoas. Os homens dedicam 11,8 horas. É a maior diferença entre as regiões do país, segundo a PNAD Contínua 2022, do IBGE.
“A pessoa já está tão aflita, tão triste, tão abatida, que a gente tem que indicar um lugar de acolhimento. Para mim, esse lugar é o GTP+, um lugar de confiança e segurança para falar sobre HIV e infecções sexualmente transmissíveis”, completa Priscila.
Serviço
Projeto Testar e Cuidar – GTP+
Aconselhamento psicológico e testagem gratuita e sigilosa para HIV, sífilis e hepatites B e C.
Endereço: Rua Gervásio Pires, Galeria 436, loja 8, Centro, Recife (PE)
Horário: segunda a sexta, das 9h às 17h, sem agendamento
Canais: gtp@gtp.org.br, Instagram @gtposithivo
Fontes
Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco – Informe Epidemiológico HIV/Aids 2025 (dados de 2020 a 2024, atualizados em 10/11/2025)
Grupo Hospitalar Conceição / UCLA – AIDS Research and Treatment (via GZH e Agência Aids, ago./2026)
Hospital Giselda Trigueiro (Natal/RN) – Brazilian Journal of Infectious Diseases (2023)
IBGE – PNAD Contínua 2022, Outras Formas de Trabalho
Fontes para entrevistas
Nance Ferreira, coordenadora geral do GTP+ (81) 98882-8276
Gleydson Coutinho secretário do GTP + (81) 985388004
Personagens, caso necessário :
Luto pet afeta tutores e impulsiona humanização do setor funerário
Cremação, joias memoriais, urnas personalizadas e outras formas de homenagem refletem a transformação na relação entre famílias e animais de companhia
Ascom / Mário Tavares - Morada da Paz
Por, Paulino Andrade/FN
Para muitas famílias, a despedida de um animal de estimação representa o encerramento de uma relação construída ao longo de anos, marcada por convivência e afeto. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), em 2023, o Brasil registrava 160,9 milhões de animais de estimação, entre cães, gatos, aves, peixes e pequenos animais.
Além disso, uma pesquisa publicada pela Universidade de São Paulo (USP) sobre famílias, animais de estimação e consumo observa que a presença dos pets nas famílias está associada a vínculos afetivos genuínos e a um processo de humanização da relação entre pessoas e animais. À medida que os pets ocupam um espaço cada vez mais significativo nos lares, também ganha relevância a busca por formas mais cuidadosas e personalizadas de lidar com a morte desses companheiros.
Essa transformação não termina com a morte do animal. Ela também aparece na maneira como os tutores desejam se despedir e preservar a memória de seus companheiros. É nesse contexto que serviços funerários especializados passam a incorporar uma abordagem mais individualizada, que pode incluir cremação individual, cerimônias de despedida, urnas personalizadas, espaços de memória, certificados, lembranças, joias memoriais e outros objetos que ajudam a manter viva a lembrança do animal.
O luto pelo animal é uma experiência real
Do ponto de vista psicológico, a perda de um animal de companhia pode desencadear um processo de luto significativo. Pesquisas identificam relatos frequentes de solidão, constrangimento e sensação de que o sofrimento não é plenamente reconhecido socialmente. Entre as estratégias de enfrentamento observadas estão o apoio social, a criação de formas de memorialização e a manutenção de vínculos simbólicos com o animal.
“O luto pela perda de um animal de companhia deve ser compreendido pelo significado que aquela relação tinha para a pessoa. Para algumas famílias, aquele animal fazia parte da rotina, oferecia companhia e estava presente em diferentes momentos da vida. Por isso, a despedida pode mobilizar emoções profundas e precisa ser respeitada em seu tempo e em sua singularidade”, esclarece Simône Lira, psicóloga do Morada da Paz.
A humanização dos serviços funerários para pets acompanha, portanto, uma mudança na própria expectativa dos cuidadores. Em vez de enxergar a despedida apenas como uma etapa operacional após a morte, cresce a percepção de que esse momento pode ser conduzido com acolhimento, respeito e atenção às necessidades emocionais da família.
A cremação pet, por exemplo, permite que a família escolha entre diferentes modalidades de despedida, conforme a disponibilidade do serviço e sua preferência. Na cremação individual, as cinzas podem ser posteriormente destinadas a uma urna ou a outras formas de memorialização. Já as joias memoriais podem transformar uma pequena quantidade das cinzas, quando tecnicamente possível, em uma lembrança que permanece próxima do tutor.
Também podem fazer parte desse processo urnas personalizadas, placas, fotografias, certificados, caixas de memória e outros elementos que ajudem a registrar a trajetória do animal. Mais do que objetos, essas alternativas podem representar maneiras simbólicas de elaborar a despedida e preservar lembranças importantes.
“Ter um ritual de despedida pode ajudar algumas pessoas a reconhecer concretamente que uma etapa terminou e que uma relação muito importante existiu. Não existe uma maneira única ou correta de viver o luto. Para algumas pessoas, guardar as cinzas, ter uma joia memorial, fazer uma cerimônia ou preservar fotografias pode fazer sentido; para outras, o processo será diferente. O mais importante é que a escolha respeite a história daquela família e o significado que o animal teve em sua vida”, explica a psicóloga.
domingo, 25 de outubro de 2026
Fixada tese sobre atividade especial pela TRU do TRF3
Ney Araújo
Advogado Previdenciarista e Trabalhista
Por, Paulino Andrade/FN
A TRU do TRF3 fixou tese importante sobre atividade especial: Para o reconhecimento de atividade especial exercida antes de 06/03/1997 (vigência do Decreto nº. 2 172/1997), a comprovação da exposição a agentes químicos prescinde de laudo técnico e de análise quantitativa de concentração, sendo suficiente a indicação do agente nocivo em formulário padrão preenchido pela empresa (DSS-8030, SB-40 ou equivalente).
Para fixação da tese foi reforçado que a conclusão decorre da legislação aplicável à época da prestação do serviço, em respeito ao princípio tempus regit actum (o tempo rege o ato). Isto é, o período deve ser analisado conforme a norma vigente naquele momento.
Até 28/04/1995, a comprovação da atividade especial por agentes químicos podia ser feita por formulário, sendo o laudo técnico exigido apenas para ruído e calor. E, mesmo após 29/04/1995, continuou possível a comprovação por formulário até 05/03/1997.
A TRU foi clara ao afirmar que não se pode exigir hoje um critério técnico que não era exigido pela legislação da época, porque isso significaria impor uma prova praticamente impossível décadas depois.
Essa tese reforça a necessidade de avaliar antes de olhar apenas o PPP ou o laudo atual, a análise de qual era a legislação vigente no período trabalhado.
Saiba mais:
Plataforma da empresa - Conversas de cunho sexual
A 5ª Vara do Trabalho de Osasco-SP manteve justa causa aplicada a trabalhadora que utilizou, de forma reiterada, ferramenta corporativa destinada à comunicação interna para manter conversas de cunho pessoal e sexual com colega de trabalho. A troca de mensagens pelo Microsoft Teams ocorria durante o expediente e fazia referências até a encontros de natureza particular no horário e nas dependências da empresa. Ela reconheceu que mantinha relacionamento íntimo com outro empregado.
Polícia | AÇÃO PF - PF divulga balanço parcial da atuação no segundo turno das Eleições 2026
Os números são dinâmicos e podem sofrer alterações em razão de novas ocorrências, investigações e atualizações dos sistemas da instituição
Eleições 2026 | Tribunal Superior Eleitoral - TSE Informações sobre as Urnas
Saiba como acompanhar a totalização dos votos após as 17h
Terminada a votação, os dados dos Boletins de Urna começam a ser transmitidos para a totalização. As informações são divulgadas à medida que os boletins são processados
Tribunal Superior Eleitoral - TSE
Por, Paulino Andrade/FN
É hoje o 2º turno das Eleições 2026 e é possível acompanhar, em tempo real, a totalização dos votos, que começa assim que terminar a votação, a partir das 17h, no horário de Brasília. Os dados dos Boletins de Urna (BUs) são transmitidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgados à medida que são recebidos e processados.
A Justiça Eleitoral disponibiliza dois aplicativos para acompanhar a totalização: o Boletim na Mão, que permite conferir os resultados registrados em cada seção eleitoral, e o Resultados, que mostra o andamento da totalização em todo o país.
Boletim na Mão
O aplicativo Boletim na Mão, disponível na Google Play e na App Store, possibilita ler o QR Code impresso no BU ao final da votação e acessar a cópia digital dos resultados registrados na seção eleitoral pelo celular ou tablet.
Ele está integrado ao e-Título, o que dispensa a instalação de outro aplicativo. A ferramenta também permite selecionar e compartilhar vários boletins ao mesmo tempo. Assim, mesários, auxiliares, fiscais de partidos e eleitores em geral podem usar os dados para checar os resultados registrados nas urnas e compará-los com os divulgados pelo TSE na internet após a totalização.
Lançado em 2016, o Boletim na Mão é atualizado a cada eleição. A versão de 2026 traz melhorias de usabilidade e atualizações tecnológicas para reforçar a segurança.
Resultados
Outra forma de conferir os resultados é pelo site Resultados do TSE, também disponível em aplicativo. Ele permite acompanhar a totalização em tempo real, conforme os BUs são transmitidos e processados pelo Tribunal. A consulta pode ser feita por país, estado, município ou zona eleitoral, além de permitir a pesquisa por cargo e por candidata ou candidato.
Ao término da totalização, o site apresenta os resultados finais, os percentuais de votação que cada candidatura recebeu, os votos por partido e a relação de pessoas eleitas.
Para fazer a consulta, basta selecionar o 2º turno das Eleições de 2026 e definir a abrangência desejada. A ferramenta também informa o número de seções totalizadas e o comparecimento do eleitorado.
Ao selecionar o ícone “urna”, é possível acessar o BU de cada seção. Também ficam disponíveis o registro digital do voto e o log da urna, com informações sobre o funcionamento do equipamento, como os horários de início e encerramento e o número de eleitoras e eleitores que votaram. Os arquivos podem ser baixados para que qualquer pessoa possa auditar os resultados da eleição.
GR/JP/DB






